terça-feira, 8 de março de 2016

CONFIRA NOSSA ENTREVISTA PARA O JORNAL DIÁRIO REGIONAL - NA PAUTA: DOENÇAS CARDIOVASCULARES EM MULHERES!

CONFIRA NOSSA ENTREVISTA PARA O JORNAL DIÁRIO REGIONAL - NA PAUTA: DOENÇAS CARDIOVASCULARES EM MULHERES!

As doenças cardiovasculares matam 18 milhões de pessoas no mundo, todos os anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Anteriormente relacionados mais aos homens, estudos comprovam que a incidência de problemas cardiovasculares vem crescendo entre o sexo feminino. Atualmente, mais de 200 mulheres morrem por dia apenas no Brasil em decorrência de infarto agudo do miocárdio. As doenças cardiovasculares matam seis vezes mais que câncer de mama.
Há várias causas para o aumento da ocorrência de doenças do coração entre as mulheres, desde a mudança de hábitos, que elevou o nível de estresse, com jornadas duplas ou triplas, até particularidades anatômicas, como o fato de possuírem artérias coronárias mais finas. Fatores de risco associados às doenças cardiovasculares, como diabete e hipertensão, também têm impacto maior no coração da mulher, além da associação entre tabagismo e anticoncepcionais, da ocorrência da menopausa e de ovários policísticos.
Em entrevista exclusiva para o Diário Regional, o cirurgião vascular e coordenador da Comissão de Remoção de Órgãos da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), José Lima Oliveira Junior, esclareceu os motivos do aumento das doenças cardiovasculares entre as mulheres e como fazer para preveni-las.
As doenças cardiovasculares eram relacionadas mais aos homens. Quais motivos levaram ao aumento entre as mulheres?
As doenças cardiovasculares eram e ainda são mais frequentes na população masculina do que na feminina. Nos últimos 10 anos, o número de casos e a gravidade das doenças cardiovasculares têm aumentado drasticamente na população feminina. Há 10 anos, tínhamos um caso de doença cardiovascular na população feminina para quatro a cinco casos entre homens. Hoje, essa relação é de quase um paraum. Perto de 40% de todos os casos de infarto agudo do miocárdio ocorrem na população feminina.
Os fatores que levaram a essa modificação são, principalmente, ambientais e culturais. As mulheres adquiriram nos últimos anos um estilo de vida mais urbano, acumulando uma série de fatores de riscos que antes eram mais comuns aos homens. Estão fumando mais, mais estressadas, trabalhando fora, acumulando jornada de trabalho dupla ou tripla. Além disso, estão se alimentando mais fora de casa, uma dieta do ponto de vista qualitativo pior, mais rica em gordura de origem animal, gorduras saturadas e ricas em sódio. Esse estilo de vida mais urbano é o principal fator responsável pelo aumento do número e da gravidade da incidência de doenças cardiovasculares nas mulheres.
As mulheres em fase de menopausa são mais propensas às doenças do coração? 
Após a menopausa, o risco de doenças cardiovasculares aumenta na população feminina por conta da perda da proteção do estrogênio. A queda hormonal, principalmente à custa da redução do estrogênio, acaba facilitando a ocorrência de doenças cardiovasculares nas mulheres. O estrogênio é o hormônio que protege o sistema cardiovascular e diminui o risco dessas doenças.
Por que a taxa de mortalidade após um ataque cardíaco é maior entre mulheres?
A mortalidade, associada ao infarto agudo do miocárdio, é maior nas mulheres do que nos homens, considerando-se doenças similares, gravidades, do ponto de vista anatômico, clinico, parecidas. Isso ocorre porque o sistema cardiovascular feminino é um pouco diferente do masculino. As artérias coronárias, de uma forma geral, são, em média, mais finas e mais reativas que a dos homens. Ou seja, além de ter um diâmetro menor, respondem mais com espasmo, com contração, com redução do seu diâmetro de uma forma um pouco mais intensa do que na população masculina.
Além disso, a produção de substâncias vasodilatadoras é um pouco menor do endotélio do sistema cardiovascular feminino que no masculino. São algumas particularidades que acabam fazendo com o que o infarto agudo do miocárdio tenha a mortalidade maior na população feminina. Além disso, muitas vezes, a apresentação clínica do infarto nas mulheres é um pouco atípica, o que acaba fazendo com que, muitas vezes, pelo menos mais frequentemente que na população masculina, demore mais para se fazer um pós- diagnóstico de infarto, se demore mais para que se procure um pronto socorro e, muitas vezes, a apresentação clínica no momento de chegada já é bem mais grave e mais avançada.
Os sintomas da insuficiência cardíaca difere entre homens e mulheres?
Na verdade, os sintomas de insuficiência cardíaca são muito parecidos na população feminina e masculina. O infarto agudo do miocárdio é que pode ter uma apresentação um pouco diferente. Mais frequentemente se apresenta com alterações digestivas, como náuseas, vômitos, uma dor que simula a epigástrica, a dor de estômago. Algumas vezes as manifestações não vêm acompanhadas de palidez cutânea, de sudorese fria, de sensação iminente de morte ou de taquicardia. Então, a apresentação clínica na mulher é um pouco diferente da dos homens. As mulheres, principalmente de mais idade e diabéticas, correm o risco até mesmo de apresentar o infarto sem manifestação clínica.
Existe uma idade média para o aparecimento dessas doenças?
Nas mulheres, as doenças cardiovasculares ocorrem principalmente após a menopausa. Porém, nos últimos anos, o que se tem observado, com o aumento do número de doenças cardiovasculares, é que têm se tornado mais frequente mesmo nas mulheres a partir dos 30, 40 anos. Então, estamos observando uma redução na idade média. Um aumento muito grande do número de mulheres com 35, 40 anos já com alguma apresentação de doença cardiovascular, muitas vezes grave e impondo um risco iminente de morte.
A genética influi?
A genética é, sim, um fator preponderante para o surgimento de doença cardiovascular, que é a somatória do componente genético, que chamamos de histórico familiar, e dos fatores ambientais e/ou culturais.
Gestantes correm mais riscos de desenvolver problemas cardíacos?
Não. O que acontece com a gestante é que, se a mulher for portadora de alguma cardiopatia, há risco aumentado de apresentar descompensação da sua função cardíaca com a gravidez. Porém, a gravidez não é um fator de risco para doença cardiovascular, mas de descompensação se ela já tiver alguma doença cardiovascular instalada.
Existem alimentos que podem reduzir os riscos desse tipo de doença?
De uma forma geral, os alimentos ricos em sódio, em gorduras saturadas, uma alimentação pobre em cereais, pobre em gordura de origem vegetal, que chamamos de não saturada, pobre em ômega 3 estão associadas com o maior risco de desenvolvimento de doença cardiovascular, seja por causa de doenças isquêmicas, como infarto, mortes súbitas, ou seja com insuficiência cardíaca.
Aspirina reduz, realmente, o risco de doenças do coração? 
Aspirina é um medicamento utilizado há muito tempo e reduz, sim, o risco de doenças cardiovasculares isquêmicas, de infarto e de acidente vascular cerebral isquêmico. Porém, as pessoas não devem tomar aspirina por conta própria. Existem contraindicações absolutas a utilização da aspirina. Então, só deve ser utilizada sob prescrição médica.
Quais são os tipos mais comuns de doenças cardiovasculares?
As doenças cardiovasculares mais comuns são o infarto e o acidente cardiovascular cerebral tanto na população feminina quanto masculina. O que vem crescendo muito nos últimos anos é a incidência de insuficiência cardíaca, que deve ser a doença das próximas décadas.
Como prevenir?
A prevenção é, de formal geral, tudo que a população já está habituada a ouvir e não habituada a fazer.
• Associar ao seu dia a dia a prática de atividade física pelo menos 3 vezes por semana durante, pelo menos, 1 hora;
• Controlar o estresse do dia a dia, principalmente cuidando do estresse no ambiente de trabalho e no trânsito.
• Cuidar da alimentação e evitar o consumo excessivo de alimentos ricos em gordura de origem animal e ricos em sódio. Incorporar cereais, gordura ricas em ômega 3, que são alimentos cardioprotetores;
• Fazer o diagnóstico precoce de hipertensão, diabete, visitando seu cardiologista uma vez por ano a partir dos 40 anos, se você não tiver histórico familiar, ou a partir dos 35 anos, se tiver o histórico.
Quais exames devem ser feitos periodicamente para prevenção e a partir de que idade?
Mais do que exames, as pessoas devem se habituar a passar rotineiramente com seu cardiologista. O especialista é quem vai definir quais são os exames que se deve fazer rotineiramente. Então, a partir dos 40 anos, uma vez por ano seria interessante que as pessoas procurassem o cardiologista a fim de fazer exame clínico e para que ele indicasse exames de imagem e laboratoriais adequados.
http://www.diarioregional.com.br/2016/03/05/infarto-mata-200-mulheres-por-dia-no-brasil/

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